Tunturi

António Vieira

Tunturi significa, tanto em finlandês como na língua sámi, uma colina sagrada, mas exprime aqui um nome de mulher, figura central da narrativa. O vasto mundo de que esta Tunturi é o centro situa-se e fecha-se entre a floresta, o lago e o firmamento, e forma um microcosmos, como o dos grafismos inscritos nos tampos dos tambores mágicos
da Lapónia.

 

Encomendas e venda directa – pedidos para: companhiadasilhas.lda@gmail.com

Excerto

Leve ou impetuoso, sempre o vento fazia vibrar a floresta, quer em tumulto, quer em rumor mensageiro de indícios. Na casa de madeira sobre o lago, Tunturi, atenta a decifrar os sons secretos saídos do vento, escutava a floresta. Num momento em que a fúria sonora se aquietou, ouviu, bem perto, os golpes ritmados do palokärki, o grande pica-pau preto. Como lhe eram familiares esses sons que o vento ondulava sem os dissipar… Algures, o forte bico percutia a madeira em cadências rápidas que atroavam todo o bosque.
Tunturi seguia as rajadas de sons graves, profundos, penetrantes, martelados em sequências que se aceleravam um pouco antes de se suspenderem, para logo recomeçarem. Anunciavam a bela ave que rondava: Tunturi imaginava a célere silhueta negra de poupa vermelha subindo em corrida o tronco de uma árvore e parando de súbito a debicar um ponto do lenho. A neve, a escuridão e o temível Inverno ainda tardavam.

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-9154-92-6
Formato: 14x20cm
Páginas: 86
Data de edição: 2026 | Abril
Género: Ficção

Nº de edição: 366
Colecção: azulcobalto |  nova série | ficções | 0023
PVP: 16,50 €

Autor