Não Sei
Luís Serpa
Não Sei é a continuação da compilação dos posts do blogue Don Vivo (donvivo.blogspot.com), um blogue que mantenho desde 2003. Ao contrário dos dois volumes anteriores (Avenida da Liberdade, nº1 e De Passagem) que abrangiam quatro anos cada, este só contem dois – 2012 e 2013. Numa vida cheia de anos fulcrais, estes foram dois dos mais fulcrais e Não Sei reflecte-o bem.
Como diz o Alberto Gonçalves no seu generoso e tolerante prefácio, nunca me preocupei muito em saber se a minha vida era (é) normal, comum. Limitei-me (limito-me) a vivê-la. Não digo, como Neruda, “confesso que vivi”. Muito menos me passa pela mente proclamar que vivi. Quando muito, esteja na crista ou na cava da vaga, digo: “tenho sorte!” Ou, quando quero ser menos lacónico: “a sorte que eu tenho!”
Merecida? Não sei.
L.S.
Encomendas e venda directa – pedidos para: companhiadasilhas.lda@gmail.com
Excerto
O ano novo passou por mim a dormir. O velho já lá vai, como tantas coisas. Portugal, por exemplo. Parece-me cada vez mais distante. As notícias, os posts, os comentários que leio referem-se a um país que pouco a pouco se afasta de mim, um país que me parece cada vez mais estranho, nos dois sentidos do termo.
(…) Talvez o que fica em nós depois de tudo o resto sair seja o mais importante, o que nos define. Não sei. Sei que hoje chega a metade boa de mim; que em breve estaremos de saída não importa para aonde; e que, cada vez mais, o meu país é aquele aonde vivo cada dia, não aquele aonde nasci ou os que deixei.
Nota de leitura
