A Árvore que Sangra
Angus Cerini
Mãe e filhas tiranizadas por um pai abusador e violento, sempre violento, decidem matá-lo. Reféns na sua própria casa são diariamente abusadas, abusadas no sentido literal. Violentadas. Violadas.
O pai abusador exibe diante das três oprimidas o seu sexo como um animal que impõe a sua lei sexual. Pete, bêbado e inútil, é um falocrata militante. Uma besta. Um assassino cruel. Mata por prazer e revanche, como acontece com uma ninhada de cães. É um ser associal no meio de uma comunidade que o vai tolerando. Um tirano. Escraviza mãe e filhas. Estamos diante de um quadro de terror, um campo de concentração familiar em que o capataz é o pai.
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Excerto
I
– Com um buraco de bala no pescoço essa tua cabeça de burro nunca teve tão bom ar.
– Descansa em paz papá cabeça de burro.
– Adeus adeus Papá seu saco de merda.
– Adeuzinho Papá seu desgraçado monte de merda.
– Olhem só para ele todo estatelado no chão.
– Quieto.
– O bandalho já não se mexe.
– E então agora esses teus golpes baixos seu velho nojento e anormal?
– Descansa em paz que tal te tás a dar agora?
– Seu rio de banhas pele rasgada e ossos moídos.
– E ele com os olhos arregalados a olhar para nós ali no soalho.
– Olhos mortos e tu por dentro deles que não regressem nunca mais.
– Descansa em paz papá cabeça de burro.
– Vai comer vomitado para o inferno.
– A mãe limpa um lado da cara com ar ausente, olha para as flores dela espalhadas pelo chão.
– Mamã.
– Olha para cima com ar ausente.
– Mamã?
– Sim meninas.
– Para onde foi o Papá Mamã?
(…)
Nota de leitura

