Malparidos
Cláudia Lucas Chéu
Malparidos reúne crónicas ficcionais escritas na voz masculina. A partir desse lugar de enunciação, Cláudia Lucas Chéu constrói um conjunto de textos que expõem discursos, gestos e territórios do masculino contemporâneo — entre o íntimo e o social, o ridículo e o violento, o banal e o irreparável.
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Excerto
Não é fácil ser-se homem nas mãos desta mulher que nos escreve, que nos desfaz, faz de nós gato-sapato, junta–nos numa panela de tísicos emocionais até virar um caldo de tanso, ou injecta-nos virilidade postiça e transforma o coração em mioleira de vaca temperada, cozida, servida, não é fácil ser-se homem nesta página onde nos guilhotinam a voz mas mantêm a goela para o nó da gravata, onde se supõe que sejamos quebradiços e robustos como árvores, e que arranquemos qualquer raiz com a justiça masculina, e a última vez que fiz queixa dela sabem o que fez? tirou- -me as calças e mandou-me para o meio da Praça de Londres cantar a Marselhesa […].
Nota de leitura

