Sala de Espelhos

Urbano Bettencourt

Recolhem-se neste livro alguns dos textos que Urbano Bettencourt foi escrevendo após a publicação de Ilhas conforme as circunstâncias (2003). Resultantes de solicitações diversas – colóquios, palestras, a participação em volume colectivo, etc. – eles compõem um quadro heterogéneo e a que uma (aproximativa) disposição cronológica possibilita agora uma leitura sequencial. Trata-se, em último caso, de um livro sobre literatura (e cultura) açoriana, com uma deriva à de Cabo Verde, da Madeira e das Canárias. Por outro lado, o autor pretende também assinalar a continuidade de uma prática literária, mesmo graças a autores que, podendo não ter em cada caso nem a visibilidade nem o valor representativo e estético de outros, asseguram o fio que se estende ao longo do tempo, preenchendo aquele espaço intermédio que por vezes escapa ao olhar mais preocupado com figuras cimeiras, com os postes.

 

Urbano Bettencourt (Piedade, ilha do Pico, 1949) é um dos intelectuais de maior destaque na vida cultural dos Açores. A sua obra, iniciada em 1972, contempla o ensaísmo, a poesia e a prosa de ficção. Como ensaísta, tem um trabalho continuado sobre a literatura feita nos Açores, e também um olhar informado sobre o que acontece na área da Macaronésia (Madeira, Canárias e Cabo Verde), em livro e em revistas da especialidade (nacionais e estrangeiras) e na imprensa açoriana. Na ficção e na poesia, publicou cerca de duas dezenas de títulos. Parte da sua produção literária tem sido traduzida no estrangeiro, quer em obras autónomas, quer em antologias.

É Licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa e Doutorado em Estudos Portugueses pela Universidade dos Açores.

A Companhia das Ilhas inicia este ano (2020) a publicação da sua Obra Completa.

 

Nas Livrarias: primeira semana de Novembro de 2020.

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Excerto

Domingo a circular comovidamente pelas páginas deste livro de Santos Barros, Alexandrina, como era (2018), à toa, tentando surpreender o sopro inicial e a respiração de algumas palavras, de alguns poemas que me passaram pelas mãos e muito perto do coração, ainda no seu andamento manuscrito ou já dactilografado e no jeito artesanal de pequenas obras feitas para andar de mão em mão. Circular por estes quase vinte anos de versos, organizados por Jorge Reis-Sá e agora finalmente depositados perante o olhar do leitor e no lugar editorial que aguardavam e merecem.
Às vezes, doridas as palavras, melancólicas também, sobre um tempo despojado e a rede precária dos afectos, às vezes amargos e agrestes os versos trazidos dos trópicos e das suas florestas incendiadas pelo ódio, trazidos das crateras onde os corpos em pedaços, enfim socializados, serviam de pasto aos bichos da selva e aos de Lisboa.

(de: “Morrer de fazer versos  – J. H. Santos Barros”)

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-9007-23-9

Dimensões: 14×22cm

Nº páginas: 432

Ano: 2020 | Outubro

Nº Edição: 207

Colecção: Obras de Urbano Bettencourt # 001

Género: Ensaio

PVP: 20€

Autor