Fernando Mora Ramos

Fernando Mora Ramos
Afro-alentejano nascido em 1955 em Arroios, Lisboa.
Actor e encenador, faz teatro desde 1972 (TEUM – Moçambique). Frequentou o Conservatório Nacional, tem uma Maitrise em Estudos Teatrais – Sorbonne Nouvelle, estagiou no Piccolo Teatro de Milão (1980). Fundou o CCE-Centro Cultural de Évora/CENDREV-Centro Dramático de Évora, é Director do Teatro da Rainha desde 1985.
Coordenou o DRAMAT- TNSJ-Teatro Nacional S. João, e foi Director de Programação da Coimbra 2003.
Fez, entre muitos trabalhos de encenador e actor – 126 criações – autores como Abel Neves, Álvaro G. Zúniga, Achternbush, Beckett, Thomas Bernhard, Martin Crimp, Cecília Ferreira, Danan, Ernesto Sampaio, Howard Barker, Henrique Manuel Bento Fialho, Pirandello, Strindberg, Georg Tabori, Jean-Pierra Sarrazac, etc., e, entre os clássicos não contemporâneos, Beolco, Molière, Marivaux, Vicente, Goldoni, Cervantes…
Como intérprete de realçar Ella, de Herbert Achternbusch, o Hamm de Jogo do Fim (Beckett), o Ruzante, de Beolco e Passemar, de Borda-Fora, de Vinaver.
Teve como mestres Mário Barradas, Giorgio Strehler e Jean-Pierre Sarrazac.
Realizou recentemente Lázaro Também Ele Sonhava com o Eldorado, de Sarrazac, prepara Pertinho da Torre Eiffel, de Abel Neves e Na cama com Ofélia, de Henrique Manuel Bento Fialho.
Entre outras publicações escreveu, com outros, Quatro Ensaios à Boca de Cena (Cotovia) e Uma Página Branca É uma Caixa Negra, ensaios sobre a política teatral, a programação e o teatro.

Na Companhia das Ilhas

Este conjunto de textos tem uma origem, o PREC. É, à letra e no que ficciona, filtrado pelo tempo e pelo enviesado humor que pratica, mea culpa, matéria a circular por dentro, intersticial, de uma nova sociedade que se tenta diariamente, libertos do fascismo — o que fizemos não havia, foi necessário inventar, da profissão aos reportórios, as pessoas, da estrutura de acção aos compromissos com o poder emergente, a própria arte face ao desgaste de um momento que era história em aceleração exponencial, o ritmo das transformações radicais surpreendia os próprios sujeitos da transformação.

(…) O olhar que nos textos prevalece é o de muitos anos depois. Um olhar que o tempo filtrou e que converteu o que foi épico em algo pícaro e objectivo. Como se Cervantes tivesse ali também metido o seu carro de cómicos. Na realidade estes textos surgem porque nunca partiram, foram aparecendo à medida que um balanço nostálgico e futurante tomou a forma destes escritos que misturam tudo, creio, crónica do tempo, pura ficção com incursões num terra-a-terra que ganha corpo de metáfora, reflexão sobre o que o teatro possa ser, elogio dos fazedores e dos destinatários, crítica das estruturas de conformação, retrato da distância entre os do cimo e os de baixo.

F.M.R.

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