Fernando Mora Ramos

Afro-alentejano nascido em Lisboa fez-se maior em Lourenço Marques. Aí iniciou a carreira de cómico de la
légua. Essa vocação deu-lhe em Moçambique, no TEUM, pela mão do irmão mais velho, aos 16 anos. Começou com uma peça censurada, Quanto custa o Ferro?, de Brecht e estreou-se a fazer um velho, o senhor Stone. Dele ficou-lhe o feitio pedrado, rijo e alucinado. Foi aluno de Mário Barradas no TEUM, em 72/3 e no Conservatório Nacional (1973-75), colaborando na criação do CCÉvora, fundado no PREC, no Garcia de Resende. Como bolseiro da Gulbenkian estagiou no Piccolo Teatro de Milão com Giorgio Strehler, em 1980 e fez os Estudos Teatrais de Paris III, Sorbonne Nouvelle. Fundou o Teatro da Rainha de que é Director Artístico (1985) e o DRAMAT-TNSJ (2000). Participou em mais de 130 criações como actor ou encenador ou actor/encenador. Fez Achternbusch, Abel Neves, Barker, Beckett, Bernhard, Brecht, Cerini, Cervantes, Crimp, Danan, Goldoni, Henrique Fialho, Molière, Marivaux, Pirandello, Sarrazac, Strindberg, Pimenta, Tabori, Vicente, entre muitos outros. A destacar pela singularidade foi o corpo de Ella, de Achternbusch, espectáculo muito badalado, dirigido por Isabel Lopes. Não fez Tcheckov e de Shakespeare, nas tábuas, só conhece o Medida por Medida, fez o extravagante Lúcio. Atreveu-se à escrita já na quarta idade.

Na Companhia das Ilhas