Pretérito quase perfeito e outros contos

Paula de Sousa Lima

De um homem que se suicida mas continua a escrever até uma mulher que quer morrer em cima do palco, ao longo destes contos acompanha-se um desfile de personagens cuja normalidade – ou mesmo banalidade – da vida é enredada em situações inusitadas e marcadas pela estranheza.
Nestas histórias curtas, a escrita, por vezes irreverente, eivada de poeticidade, ao mesmo tempo que crua e brutal, dá vida a personagens cuja vida é tocada pela tragédia, no seu sentido pleno ou feita de minudências aparentemente desapropriadas. Não é, no entanto, a tristeza que sobressai, mas a celebração da vida – ou de vidas, todas elas distintas entre si, conquanto enraizadas no mais profundo sentido da humanidade. E a morte, quase omnipresente, não representa senão uma faceta da vida.
É, de facto, a humanidade que aqui se reúne, nos seus mais variados cambiantes, os quais, balizados entre o vulgar e o estranho, assumem uma verdade inequívoca, embora alicerçada no insólito e no absurdo.

Excerto

Não sei se a chuva, se o automóvel, se as luzes da igreja, se  Não sei se o meu sonho  na luz oblíqua da tarde chuvosa, uma chuva que não cessa, não sei quando começou, talvez já tenha cessado, não sei
Ilumina-se a igreja por dentro da chuva deste dia,  E cada vela que se acende é mais chuva a bater na vidraça…  quem quer comentar?  diz, Joana, vá lá.
Ontem, o automóvel, pensei que eras tu, cheguei à janela, não,  jurava que era o som do motor do teu carro, já ontem chovia,  parece-me, não era o teu carro, ia jurar que o som.
O pai?
Deve estar a chegar.
O automóvel, o motor, pensei que eras tu,  o som por entre as rajadas da chuva, não
O pai deve estar a chegar.

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-8828-27-9

Dimensões: 14×22cm

Nº páginas: 240

Ano: 2017 | Junho

Nº Edição: 119

Colecção: transeatlântico # 027

Género: Ficção | Contos

PVP: 16 €

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