Poesia 1916-1940

Vitorino Nemésio

«Não basta termos escritores importantes como Vitorino Nemésio: é preciso lê-los. E, para os ler, é necessário dispormos de boas edições, que respeitem a vontade do autor e satisfaçam as necessidades do leitor comum que apenas deseja fruir a leitura dos textos. É o que se pretende com a nova edição da Obra Completa de Vitorino Nemésio, edição da Companhia das Ilhas e da Imprensa Nacional.

Neste primeiro volume – Poesia (1916-1940) –, o leitor encontra reunida toda a poesia publicada pelo autor durante este período de tempo, tanto a que ele organizou em livro como a que deixou dispersa por jornais e revistas e que foi possível localizar, desde os poemas de juventude até aos primeiros livros da maturidade. Feita, como deve ser, a partir da edição crítica publicada pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda (2006), esta nova edição aparece despojada dos aparatos críticos e da restante parafernália que é típica do trabalho filológico (que, a montante, dá ao leitor a garantia da autenticidade dos textos), e tem por objectivo único disponibilizar, ao leitor de hoje, os poemas de Nemésio da maneira o mais próxima possível daquela como ele os apresentaria – se fosse ele a assinar a nova edição. Porque a poesia de Nemésio está viva e anda em busca de um leitor que a leia.

Assim, para além dos três primeiros livros da maturidade – La voyelle promise (1935), O Bicho Harmonioso (1938) e Eu, Comovido a Oeste (1940) –, o leitor encontra neste volume as primícias poéticas de Nemésio por ele publicadas em «livro» – Canto Matinal (1916), A Fala das Quatro Flores (1920), Nave Etérea (1922) e Sonetos para Libertar um Estado de Espírito Inferior (1930) –, a que se juntam oito poemas escritos na mesma época mas que o autor, tendo-os publicado dispersamente, por qualquer razão não integrou em nenhum daqueles livros.

A série de Poesia desta edição será completada por mais três volumes: Poesia (1950-1959), com Festa Redonda (1950), Nem Toda a Noite a Vida (1952), O Pão e a Culpa (1955) e O Verbo e a Morte (1959); Poesia (1963-1976), com O Cavalo Encantado (1963), Canto de Véspera (1966), Vesperais (1966), Poemas Brasileiros (1972), Limite de Idade (1972) e Sapateia Açoriana, Andamento Holandês e Outros Poemas (1976); e Poesia Póstuma, onde se reunirão, para além de Caderno de Caligraphia e Outros Pomas a Marga (2003), os poemas inéditos à data da morte do autor, bem como, eventualmente, outros por ele publicados dispersamente e que, não sendo conhecidos até hoje, possam entretanto vir a ser encontrados.»

Luiz Fagundes Duarte (Outubro de 2018)

Excerto

Quando eu morrer, a terra aberta
Me beba de um trago
E esqueça.
Aos deuses minha oferta
É levar o que trago:
Eu, dos pés à cabeça.

Assim, com ervas altas,
Acabam os que começam.
Que Deus nos perdoe as faltas!
Dizem: «a terra que nos come»:
Eu digo: «a que nos bebe» — e basta.
Somos só água que se some:
Choveu — e fomos
Na vida gasta.

 

(Poema 27, de “Eu, Comovido a Oeste”, in Poesia I (1916-1940), ed. Companhia das Ilhas / Imprensa Nacional, Setembro de 2018, pág. 326.)

Nota de leitura

Ficha Técnica

EDIÇÃO CONJUNTA DA COMPANHIA DAS ILHAS E IMPRENSA NACIONAL

Nota editorial de Luiz Fagundes Duarte

ISBN: 978-972-27-2672-6

Dimensões: 15×19,5cm

Nº páginas: 352

Ano: 2018 | Setembro

Nº Edição: 141

Colecção: OBRA COMPLETA DE VITORINO NEMÉSIO #001

Género: Poesia

PVP: 18 € (para subscritores da Companhia das Ilhas: 14,5€)

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