O Dever. Os primeiros dez anos (1917-1926)

José Quintela Soares

No ano em que se assinala o centenário do jornal O Dever, fundado pelo Padre Xavier Madruga, José Quintela Soares, na sequência de um aturado trabalho de investigação, apresenta-nos uma longa selecção de textos publicados nos primeiros dez anos (de 1917 a 1926) do jornal, órgão da imprensa católica, nascido na ilha açoriana de São Jorge e, em 1938, mudado para a vizinha ilha do Pico, onde ainda se mantém. Além do seu interesse documental, da sua natureza de peça importante para a história da imprensa açoriana do século XX, este O Dever. Os Primeiros Dez Anos (1917-1926), de José Quintela Soares, revela-se igualmente como fundamental para conhecermos aspectos da vida económica, social e cultural de parte do mundo açoriano, mas também das suas relações com o todo português, num período da história de grandes mudanças sócio-culturais: vivia-se então em plena primeira república, em 1926 o dito Estado Novo dá os seus primeiros passos, e o jornal, católico, apostólico e romano, assume-se claramente como monárquico e, portanto, decididamente contra o regime vigente, por vezes de forma intempestiva. É um mundo diferente, pois, aquele que se abre nestas páginas de O Dever, reflexo de uma época que já não imaginamos mas com a qual ainda temos muito a aprender.

 

Excerto

(…) Pároco no Topo, funda o jornal, numa primeira e curta fase, sozinho, sendo Director, Proprietário, Editor e Administrador.
A partir do número 21, em Outubro, com a ajuda preciosa do seu amigo Padre José de Matos, que ocupa o lugar de Administrador, na Calheta, enquanto o Padre Madruga continua como Director, Editor e Proprietário.
O jornal é composto e impresso na Tipografia Minerva Soares, na Rua da República, tipografia que em Dezembro desse ano mudará de nome (e provavelmente de gerência), passando a denominar-se Tipografia Soares & Silveira, e estabelece preços de assinatura anual (1$500 reis), semestral (750 reis) e trimestral (375 reis).
Ponto que parece importante é perceber a quem se destinava o jornal.
Seguramente a todos os descontentes, e muitos eram, com a marcha imprimida pela República, partindo do princípio que todos os cristãos, face aos ataques à Igreja, apoiariam o jornal. Apesar de se saber que a República contou com o apoio da grande maioria das massas populares, O Dever vai tentar “remar contra a maré”.
Missão arriscada, como veremos, e que tinha, à partida, um obstáculo tremendo, difícil de contrariar: a taxa de analfabetismo. (…)

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-8828-34-7

Dimensões: 14×22cm

Nº páginas: 544

Ano: 2017 | Julho

Nº Edição: 111

Colecção: transeatlântico# 025

Género: História (Imprensa dos Açores)

PVP: 20 €

Press-kit

Autor