Há Rios que não Desaguam a Jusante

Nuno Dempster

Tudo se passa em torno do coronel Pierre Latour, militar de antes e durante a independência do Congo ex-belga, mercenário na guerra de secessão do Catanga e no início da guerra colonial de Angola. Solitário, herdeiro de fortuna incontável, que acrescenta. Chega a Portugal em 1962, onde fica como exilado político até pouco depois do 25 de Abril, altura em que se junta aos que então fugiam do país. Mas a narrativa continua, em Portugal, até meados da presente década, numa longa marcha do mal e na resistência pouco numerosa do bem.

 

Excerto

(…) Quando entrou em casa, Latour apercebeu-se de que estava alguém no interior. Ouviu um ruído metálico. Quem quer que estivesse não tinha notado a sua entrada e abrira uma torneira. Era na cozinha. Saiu em  silêncio. Abriu o porta-luvas do carro e trouxe a arma, uma pistola Browning de guerra, encostou a porta da entrada e avançou pé ante pé. Chegado ao umbral da porta da cozinha, deu um salto, pôs-se em posição de tiro e gritou não te mexas, parecia uma cena das séries policiais do zapping. A mulher deu um grito e desmoronou-se. Por um momento, a cabeça dele ficou confusa, depois viu estendida Marie Fournier, a empregada que cuidava da casa o ano todo. Tomou-lhe o pulso, estava viva, encheu as mãos em concha da água que corria e deitou-lha sobre o rosto. (…)

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-8592-58-3

Dimensões: 14x22cm

Nº páginas: 488

Ano: 2018 | Outubro

Nº Edição: 144

colecção azulcobalto | 055

Género: Romance

PVP: 19 €

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