Açores a Pé

Nuno Ferreira

Entre Março e Dezembro de 2012, o jornalista Nuno Ferreira atravessou demorada e pormenorizadamente o arquipélago dos Açores numa jornada de busca da natureza, tradições culturais e quotidiano das ilhas. Numa viagem semelhante à que fizera no continente e que originou a publicação do livro Portugal a Pé, o repórter deixou-se embalar pelo quotidiano dos Açores, de São Miguel ao Corvo. Assistiu a peregrinações, conviveu com velhos barbeiros, baleeiros, tocadores e cantadores e contadores de histórias, fugiu do touro em touradas à corda, intrometeu-se em bailes regionais, desceu e subiu as fajãs de São Jorge, enfrentou uma derrocada num dos mais belos trilhos das Flores, presenciou a tempestade tropical Nadine na Graciosa, encheu-se de lama no norte de Santa Maria, subiu ao Pico, entre outras tantas peripécias. Em duas ocasiões, saltou para dentro de uma embarcação, acompanhando a pesca ao atum em São Miguel e a pesca ao goraz na Ilha do Corvo. O resultado é uma narrativa que procura espelhar, à medida da passada e o fôlego do jornalista, os contrastes da vivência quotidiana em cada uma das ilhas do arquipélago.

 

Excerto

Voltei com saudades da viola da terra mas também dos bailes de roda lentos e gentis da Graciosa ou de São Jorge, da Chamarrita endiabrada do Pico, das quedas de água das Flores, do movimento das tascas dos pescadores micaelenses. Das adegas do Pico. Das touradas à corda na Terceira. Da vindima na Graciosa. Do colorido das procissões. Dos cânticos dos romeiros a acordarem-me nos Ginetes, São Miguel, pelas seis ou sete da manhã. Das estradas bordejadas a verde, dos chafarizes, das igrejas brancas e negras que a vista alcança várias lombas antes de se chegar à freguesia.

Saudades de me perder numa mancha de cedro do mato, chegar a uma clareira semi-encoberta pelo nevoeiro e dar com elas, sempre elas, as vacas, espantadas a olhar para mim e a fugir em seguida.

Lá em baixo, embatendo nas arribas, o mar, sempre ele. Saudades, evidentemente, de adormecer ao som do “bonc” surdo das ondas a bater no molhe ou na arriba e do som riscado dos cagarros. E saudades, finalmente, da hospitalidade açoriana: “O senhor é do continente? E está gostando da nossa ilha?”

 

Nota de leitura

Ficha Técnica

ISBN: 978-989-8592-96-5

Dimensões: 14x22cm

Nº páginas: 288. Ilustrado.

Ano: 2016

Nº Edição: 80

Género: Livro de viagem

Colecção: mundos 004

PVP: 16 €

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