A Porta Aberta

Laurinda C. Andrade

Organização, texto português e posfácio: Francisco Cota Fagundes

Prefácio: Lucille B. Lagasse

 

A Porta Aberta, autobiografia de Laurinda C. Andrade, é uma das mais empolgantes e justamente célebres histórias de vida da autoria de qualquer imigrante português nos Estados Unidos. Tendo completado apenas uns quantos anos de escola primária nos Açores, Laurinda consegue o diploma do Liceu de New Bedford e forma-se pelo Pembroke College, Universidade de Brown, uma das instituições de ensino superior de maior prestígio da América. Depois de trabalhar como editora e directora dum semanário de língua portuguesa e ocupar um posto de distinção como secretária da Legação Portuguesa em Washington, D.C., Laurinda C. Andrade aceita uma colocação como professora de Português no Liceu de New Bedford, escola que havia frequentado. Para tal, voluntariamente renunciou a um vencimento superior no que dentro em breve se viria a chamar a Embaixada de Portugal nos Estados Unidos. O percurso de Laurinda é admirável por variadíssimas razões. Para além das razões já mencionadas, avultam de entre elas o ter-se integrado numa família de imigrantes do Pico ao ponto de se tornar uma “filha” e “irmã” no seio dessa família; o romper de barreiras no que respeita ao lugar da mulher numa época e em situações em que imperava o patriarcalismo, sobretudo mediante a sua luta em prol da família e da mulher no jornal que editou e dirigiu; e, para reiterar o exemplo máximo, a sua luta contra enormes preconceitos, para manter, divulgar e defender, mediante o seu ensino, a dignidade da sua língua e da sua cultura. O ensino do Português na América a nível de escola secundária deve a Laurinda C. Andrade uma dívida insaldável.

Nas Livrarias: primeira semana de Março de 2019.

Excerto

«Os eventos mais importantes no drama humano são sempre os dois extremos naturais, o nascimento e a morte; e eles são o mesmo em qualquer parte do mundo. O montar do palco para o aguardado momento é condicionado pela afluência ou pobreza do respectivo ambiente. É parte do mesmo teatro que já experimentou a cadeia contínua de acções e interacções, motivadas por altos e baixos nas aspirações e frustrações dos seres humanos que já passaram pela experiência, ou que estão em luta com ela. Todas estas almas têm sido o alvo ou os beneficiários da acumulação de crenças, convicções, costumes, padrões, tradições, etc., etc., no amálgama a que chamamos civilização, e carimbamos na mente jovem como modo de vida. Como os seus antepassados, o recém-nascido é levado ao palco sem qualquer opção própria. Será o herdeiro ou o prisioneiro dum acumular de factores que condicionaram a mente de gerações que o precederam. Mas, graças a Deus, não é um vegetal incapaz de pensar ou mexer-se, nem é tão-pouco uma mera massa informe de carne humana. Terá de sofrer ou desfrutar a moldagem da infância e as dores de crescimento da adolescência, auxiliadas ou prejudicadas pela herança biológica e a estrutura sociológica à sua volta. Contudo, ele ou ela tem algo que é sua única pertença – UMA CHISPA DIVINA. Essa é a dádiva única de Deus a cada ser humano, e é o que torna um indivíduo único entre milhões de outros com as suas impredizíveis possibilidades e oportunidades.»

Nota de leitura

Ficha Técnica

Press-kit

Autor